Uma CPI marcada por blindagens e interesses bilionários, a senadora do Podemos-MS quebra o script e mostra que tem lado: o do Brasil de verdade.
Em um ato que sacudiu os corredores do Congresso Nacional, a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) deu voz de prisão ao empresário Daniel Pardim durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets em Brasília (DF), acusando-o de falso testemunho. A cena, transmitida ao vivo, escancarou não só o confronto entre a parlamentar e os bastidores bilionários das casas de apostas, mas também o nível de blindagem que cerca os poderosos do setor. Soraya, conhecida por sua postura firme e sem rabo preso, protagonizou o momento mais tenso da comissão até agora, e o mais simbólico para um país que vê no cinismo a regra e na verdade, a exceção.
Segundo a senadora, Pardim faltou com a verdade ao omitir informações e cair em contradições evidentes, mesmo após alertas prévios sobre a gravidade de seu depoimento. Ao constatar o falso testemunho, Soraya não hesitou: invocou o artigo 342 do Código Penal e determinou a prisão em flagrante. “Mentiu para o Parlamento. Isso aqui não é palco para enganar o povo brasileiro. Enquanto eu estiver nessa cadeira, a verdade terá quem a defenda”, afirmou, diante do silêncio constrangido dos colegas e da perplexidade geral. A prisão de Pardim não foi apenas um ato jurídico — foi uma declaração política.
Soraya Thronicke rompeu a lógica habitual da impunidade e deu um recado direto: na CPI das Bets, quem mentir, paga. Em um ambiente onde o jogo de interesses domina os bastidores, a senadora peitou aquilo que muitos preferem ignorar: o lobby agressivo e milionário das plataformas de apostas, que tentam a todo custo influenciar decisões legislativas enquanto lucram com a desregulamentação. Pardim, um empresário chave do setor, é apontado como elo entre operadores internacionais e mecanismos de fachada no Brasil. Sua tentativa de se esquivar da verdade acabou evidenciando exatamente o que a CPI vinha tentando provar: que há uma rede de proteção em torno das bets, sustentada pelo silêncio e pela conivência.
Mas Soraya escolheu não silenciar. Sua atitude foi interpretada por aliados como uma resposta a uma tentativa de desmoralizá-la dentro da própria comissão. E mais do que isso: uma demonstração de coragem política, de quem não teme enfrentar tubarões. “Estão achando que podem transformar o Brasil num cassino sem dono, onde só eles ganham. Mas comigo não vai ser assim. O Senado não é playground de bilionário”, disparou a senadora, logo após o episódio.
Nos bastidores da CPI, o clima ficou tenso. Alguns parlamentares pediram calma, outros tentaram abafar a repercussão. Mas o Brasil viu: pela primeira vez em muito tempo, alguém dentro do Congresso enfrentou os bastidores do poder com firmeza. E quem conhece a trajetória de Soraya Thronicke sabe que ela não é de blefar.
Enquanto muitos políticos se escondem atrás de discursos técnicos ou conivência conveniente, Soraya está jogando aberto. E no tabuleiro das apostas, onde vale tudo por influência, ela mostrou que não está à venda. A prisão de Daniel Pardim virou símbolo. Mais do que uma ação dura contra um depoente, foi um tapa na cara do sistema e um gesto de coragem que ecoa fora dos salões do Senado.