Quando Tereza Cristina aparece no noticiário por escândalos, é porque o estrondo foi grande

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FOTO: Wilson Dias/Agência Brasil

Conhecida por manter uma postura discreta e de poucos ruídos fora da política tradicional, a senadora Tereza Cristina (PP) raramente figura no centro de polêmicas. Mas quando o assunto é o uso de dinheiro público, a repercussão costuma ser inevitável. Entre 2019 e 2022, quando ainda era deputada federal, ela recebeu reembolso de R$ 78,4 mil em despesas médicas, mesmo já contando com plano de saúde pago com recursos da própria Câmara dos Deputados.

Plano público, reembolso privado?

A revelação de que a ex-ministra da Agricultura solicitou reembolsos médicos tão expressivos, apesar de dispor de plano de saúde parlamentar que, por si só, já garante atendimento de alta qualidade levanta uma questão central: por que recorrer ao bolso do contribuinte quando há cobertura privada paga com dinheiro público?

Os números chamam atenção

Segundo dados levantados pela imprensa, o reembolso total obtido por Tereza Cristina equivale a cerca de R$ 2 mil por mês durante 39 meses. Os valores foram liberados mesmo com a existência de um plano de saúde que, em tese, cobre a maior parte dos procedimentos clínicos e hospitalares.

A justificativa da senadora é que os custos foram “referentes a atendimentos médicos necessários, não cobertos pela rede conveniada” o que, sem detalhamento, deixa a opinião pública no escuro.

A legalidade é suficiente?

É verdade que o reembolso está previsto nas regras da Câmara e Senado. Mas aqui a dúvida não é apenas “é legal?”, e sim: é moralmente justificável?

  • Enquanto milhões de brasileiros enfrentam fila no SUS, o Congresso já gastou mais de R$ 100 milhões em reembolsos médicos desde 2019.
  • A falta de transparência nos procedimentos reembolsados, seus custos, necessidade e frequência — alimenta a percepção de privilégio.

Transparência como dever público

Tereza Cristina, que fez carreira no agronegócio e ganhou fama como ministra técnica e eficiente, tem até hoje uma imagem de política “limpa”. Justamente por isso, o caso gera tanto incômodo.
Se a senadora com reputação ilibada faz uso de benefícios questionáveis, o que esperar de figuras menos comprometidas com a ética pública?

O silêncio que custa caro

A parlamentar até o momento não detalhou quais procedimentos ou quais pacientes (ela, familiares ou dependentes?) motivaram os reembolsos. A ausência de explicações contribui para uma percepção de opacidade: não basta dizer que está “dentro do teto” é preciso prestar contas.

Mesmo quando se age dentro da legalidade, a ética pública cobra outro patamar de compromisso. Especialmente quando se trata de alguém que construiu sua imagem política sobre os pilares da gestão técnica, discrição e responsabilidade.

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